O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a negociar a possibilidade de apoiar o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) na disputa pelo Governo do Paraná caso o governador Ratinho Jr. (PSD) confirme candidatura à Presidência da República em 2026. A movimentação é vista como uma forma de pressionar Ratinho a desistir do Planalto.
Segundo três interlocutores, Flávio iniciou conversas com Moro para discutir um eventual apoio ao governo estadual. Está em análise, inclusive, uma possível filiação de Moro ao PL, diante das dificuldades que ele enfrenta para viabilizar sua candidatura dentro do União Brasil.
A articulação pode comprometer o acordo já firmado entre o PL paranaense e Ratinho Jr. Antes do lançamento da pré-candidatura presidencial de Flávio, o partido havia acertado que apoiaria o nome indicado pelo governador para sua sucessão, em troca de espaço para o deputado federal Filipe Barros (PL) disputar o Senado.
No grupo de Ratinho, os nomes mais cotados para o governo estadual são o secretário de Cidades, Guto Silva (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD).
Disputa nacional influencia cenário local
Flávio tem buscado estruturar palanques próprios nos estados e quer evitar alianças com possíveis adversários nacionais. Ratinho Jr. ainda não definiu se disputará a Presidência ou o Senado, mas aliados afirmam que ele oscila nas conversas reservadas.
Em alguns momentos, o governador avalia que a polarização entre um Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziria seu espaço eleitoral. Em outros, demonstra otimismo quanto à possibilidade de avançar ao segundo turno, apostando em índices de rejeição menores que os dos principais adversários.
A decisão também envolve fatores familiares e políticos. Segundo três aliados, o pai do governador, o apresentador e empresário Carlos Massa, o Ratinho, manifesta preocupação com impactos nos negócios da família, que possui concessões de rádio e televisão.
Outro ponto sensível é a sucessão estadual. Com aprovação superior a 80%, Ratinho pretende eleger seu sucessor. No entanto, Moro aparece na liderança em pesquisas de intenção de voto, impulsionado pela popularidade construída na época em que atuou como juiz da Operação Lava Jato.
Peso do bolsonarismo no Paraná
O Paraná tem eleitorado majoritariamente alinhado à direita, e o apoio da família Bolsonaro é considerado decisivo. Na eleição municipal de Curitiba em 2024, a jornalista Cristina Graeml chegou ao segundo turno pelo PMB e ameaçou o candidato apoiado por Ratinho Jr. após receber sinalizações de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Aliados do governador avaliam que eventual endosso de Bolsonaro a Moro representaria risco concreto. Uma eventual filiação do senador ao PL — partido com maior tempo de propaganda em rádio e TV e maior fatia do fundo eleitoral — também poderia alterar significativamente o cenário.
Dificuldades de Moro no União Brasil
Dentro do União Brasil, Moro enfrenta resistência. Ele assumiu o comando estadual da sigla após articulação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas ao menos dois deputados federais — Felipe Francischini e Nelson Padovani — devem deixar o partido para permanecer no grupo de Ratinho Jr.
Além disso, o PP, que comandará a federação com o União Brasil no Paraná, já sinalizou publicamente que não pretende apoiá-lo. O presidente estadual do PP, deputado Ricardo Barros, afirmou que Moro não será o candidato da federação “hoje”.
Barros declarou que a federação pode negociar com Ratinho Jr. ou lançar candidatura própria, citando como alternativas a ex-governadora Cida Borghetti, o ex-prefeito de Londrina Marcelo Belinati e Rafael Greca, caso ele deixe o grupo do governador.
Em nota, Moro afirmou que pretende permanecer no União Brasil e que sua candidatura ao governo em 2026 está garantida pela sigla. Disse ainda que as divergências com o PP serão resolvidas por meio de diálogo.
Lideranças do PP avaliam que o ambiente na federação se tornou mais favorável ao senador. Um aliado do presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), afirma que há disposição para apoiar Moro, sob o argumento de que sua candidatura pode ampliar a bancada federal e o número de senadores do grupo.
Moro tem até 4 de abril para definir eventual mudança de partido, prazo final para filiação de candidatos que pretendem disputar as eleições de 2026.







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