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Taxa do lixo reacende debate em Campo Grande e divide opiniões sobre valor cobrado no IPTU 2026

por | fev 9, 2026 | Últimas notícias

A cobrança da taxa de coleta de lixo em Campo Grande, incluída no carnê do IPTU de 2026, voltou ao centro do debate público e tem provocado reações de diferentes setores da sociedade. Prefeitura, Câmara Municipal e contribuintes discutem se o valor cobrado corresponde, de fato, ao serviço prestado à população. O tema ganhou força após audiência pública, manifestações de moradores e a proximidade de uma votação decisiva no Legislativo municipal.

Na próxima terça-feira, dia 10, os vereadores analisam o veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto que suspende os efeitos do decreto que reajustou a taxa do lixo e elevou o valor final do IPTU. A data coincide com o vencimento da segunda parcela do imposto, o que aumentou a insegurança e a insatisfação entre os contribuintes, muitos ainda sem clareza sobre quanto devem pagar ou se o valor poderá ser alterado.

Durante audiência pública realizada na quinta-feira, dia 5, representantes do Executivo municipal defenderam a manutenção da cobrança nos moldes atuais. O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli, afirmou que há um forte desequilíbrio entre o custo do serviço e a arrecadação. Segundo ele, a coleta de lixo em Campo Grande custou cerca de R$ 137 milhões em 2025, enquanto a receita obtida com a taxa ficou em torno de R$ 41 milhões.

O secretário municipal de Finanças, Isaac José de Araújo, reforçou o argumento e afirmou que a defasagem gera um prejuízo anual próximo de R$ 100 milhões aos cofres públicos. De acordo com ele, essa diferença compromete investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura urbana.

A Prefeitura sustenta que o reajuste segue critérios técnicos previstos em lei complementar e que não se trata da criação de uma nova taxa, mas da atualização de valores que ficaram sem correção por vários anos. A administração municipal afirma ainda que a cobrança é necessária para garantir a continuidade e a qualidade do serviço.

Em contrapartida, moradores, advogados e representantes da Defensoria Pública contestaram o aumento. As críticas apontam que o reajuste impacta de forma mais pesada as famílias de baixa renda, comprometendo parte significativa do orçamento doméstico. Para a Defensoria, a forma como a taxa foi atualizada não levou em conta a capacidade de pagamento da população mais vulnerável.

Durante a audiência, contribuintes relataram aumentos superiores aos percentuais divulgados oficialmente pela Prefeitura e questionaram a ausência de um debate mais amplo antes da edição do decreto. Também houve reclamações sobre a reclassificação socioeconômica de bairros, com relatos de regiões consideradas nobres pagando valores menores, enquanto áreas periféricas foram enquadradas em faixas mais elevadas de cobrança.

A taxa de coleta de lixo é cobrada junto com o IPTU, em um único documento. Os valores variam de acordo com o perfil socioeconômico do bairro, o tipo de imóvel e a área construída. Em alguns casos, a cobrança pode ultrapassar R$ 220. O decreto municipal prevê a possibilidade de contestação do valor até o dia 10 de março de 2026, junto à Secretaria Municipal da Fazenda.

Com argumentos técnicos de um lado e questionamentos sociais do outro, a taxa do lixo se consolida como um dos temas mais sensíveis do início do ano legislativo em Campo Grande. O desfecho da votação na Câmara deve definir os próximos passos da cobrança e indicar se haverá mudanças no valor que pesa no bolso dos contribuintes.

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