A Polícia Federal recomendou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passe a ter avaliação e acompanhamento médico multiprofissional regulares enquanto estiver preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A orientação consta em laudo médico encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgado nesta sexta-feira (6).
Segundo a PF, o foco do acompanhamento é identificar com precisão as causas das alterações neurológicas detectadas em exames recentes e evitar a piora das comorbidades já existentes. Os peritos apontaram hipóteses iniciais, como possível deficiência vitamínica na alimentação e interações medicamentosas, mas destacaram a necessidade de investigações complementares para esclarecer a origem do problema.
Até a conclusão dessa apuração, o laudo recomenda medidas preventivas no alojamento onde Bolsonaro está custodiado, como a instalação de grades de apoio em corredores e nos boxes de banho, além de campainhas de pânico ou outros dispositivos que permitam monitoramento em tempo real. Também foi sugerido acompanhamento contínuo do ex-presidente nas áreas comuns da unidade prisional.
O documento reforça ainda a necessidade de avaliação nutricional especializada, com prescrição de dieta adequada às condições de saúde do ex-presidente. A PF recomenda a prática regular de atividade aeróbica e tratamento fisioterápico contínuo, com foco no fortalecimento muscular e no equilíbrio postural.
Bolsonaro está preso desde 15 de janeiro na unidade conhecida como “Papudinha”, após transferência da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses em regime inicial fechado.
De acordo com outro trecho do laudo, o ex-presidente relatou boa adaptação à rotina na prisão. À PF, informou ter apresentado melhora significativa no sono após iniciar o uso de um aparelho CPAP para tratamento da apneia, com ganho estimado de cerca de 80% na qualidade do descanso. Também afirmou manter hábitos de leitura diária, caminhadas supervisionadas de aproximadamente um quilômetro no fim da tarde e conversas com agentes responsáveis pela guarda externa.
A perícia médica foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito da análise de um pedido da defesa para concessão de prisão domiciliar humanitária ou eventual internação em hospital penitenciário. Com a divulgação do laudo, Moraes concedeu prazo de cinco dias para que a defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República se manifestem.
A avaliação técnica da PF indica, por ora, que o ex-presidente tem recebido tratamento médico considerado adequado no sistema prisional, o que reduz as chances de uma mudança imediata no regime de custódia.







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