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Brasil sinaliza possível abertura para acordo comercial parcial entre Mercosul e China

por | fev 6, 2026 | Últimas notícias

O Brasil passou a considerar, pela primeira vez, a possibilidade de apoiar um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, segundo relataram altos funcionários do governo brasileiro. A mudança representa uma inflexão na postura histórica do país, que por anos vetou negociações formais com Pequim para proteger a indústria nacional do avanço das importações chinesas.

A reavaliação ocorre em meio a um cenário global marcado por tensões comerciais e pelo aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a parceiros estratégicos. Nesse contexto, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a diversificação de mercados pode ser necessária para preservar a competitividade brasileira.

O tema ganhou força após uma declaração conjunta divulgada durante a visita do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, à China. No documento, Orsi e o presidente chinês, Xi Jinping, afirmaram esperar que negociações de livre comércio entre a China e o Mercosul possam começar “o mais rápido possível”.

Embora um acordo amplo ainda seja considerado distante, integrantes do governo brasileiro afirmam que um pacto parcial passou a ser visto como uma possibilidade concreta no médio e longo prazo. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a alternativa permitiria avançar em áreas específicas, sem a abertura total do mercado, o que reduziria impactos sobre setores sensíveis da indústria nacional.

A proposta em análise inclui a discussão de temas como barreiras não tarifárias, cotas de importação, procedimentos alfandegários e regras sanitárias e de segurança. De acordo com um dos funcionários envolvidos nas conversas internas do Mercosul, avanços nesses pontos já poderiam ampliar significativamente o acesso de produtos do bloco ao mercado chinês.

“O cenário internacional mudou. Precisamos diversificar nossos parceiros comerciais”, afirmou um representante do governo brasileiro, sob condição de anonimato. Segundo ele, a China demonstrou disposição para negociar acordos limitados a determinadas linhas tarifárias.

Apesar da sinalização, o consenso dentro do Mercosul segue como um dos principais obstáculos. O bloco é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão plena, e qualquer acordo exige aprovação unânime dos membros.

O Paraguai, que mantém relações diplomáticas com Taiwan — reivindicada pela China —, é apontado como um dos fatores de complexidade nas negociações. Ainda assim, autoridades brasileiras avaliam que o diálogo é possível. Em 2025, o país importou mais de US$ 6 bilhões em produtos chineses, e o presidente paraguaio, Santiago Peña, já declarou não se opor a um acordo, desde que seja respeitada a relação diplomática com Taiwan.

A Argentina também pode representar um desafio adicional. Sob o governo do presidente Javier Milei, o país tem reforçado laços com os Estados Unidos, o que pode dificultar o apoio imediato a negociações lideradas pela China dentro do Mercosul. Especialistas apontam que Buenos Aires tende a agir com cautela para não comprometer o apoio norte-americano às reformas econômicas em curso.

Ainda assim, analistas destacam que a conjuntura internacional, influenciada pelas políticas comerciais dos EUA, pode abrir espaço para avanços antes considerados improváveis. Para o Brasil, a discussão marca o início de uma nova etapa no debate sobre a inserção do Mercosul nas cadeias globais de comércio, com a China como um dos principais vetores dessa transformação.

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