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Estudo aponta que vacina contra o HPV mantém proteção por até 12 anos

por | fev 6, 2026 | Últimas notícias

Um estudo populacional realizado na Escócia reforça a eficácia de longo prazo da vacina contra o papilomavírus humano (HPV). A pesquisa acompanhou mais de 270 mil mulheres por até 12 anos após a imunização e identificou uma redução consistente das lesões cervicais de alto grau, alterações pré-cancerígenas associadas ao risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero.

A doença segue como um relevante problema de saúde pública no Brasil e no mundo. No país, é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre mulheres, com estimativa de 17.010 novos casos por ano no triênio de 2023 a 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Além do rastreamento, a vacinação contra o HPV se consolidou como a principal estratégia de prevenção, ao evitar tanto o câncer quanto as lesões que o antecedem.

Publicado em novembro no International Journal of Cancer, o estudo mostra que mulheres vacinadas ainda na adolescência, especialmente entre 12 e 13 anos, apresentaram queda expressiva na incidência das chamadas lesões cervicais de alto grau, classificadas como NIC 2 e NIC 3. Essas alterações representam a maioria dos casos e, quando não tratadas, podem evoluir para câncer.

De acordo com a ginecologista Renata Bonaccorso Lamego, do Hospital Israelita Albert Einstein, os dados confirmam a durabilidade da proteção oferecida pela vacina. Segundo ela, são poucos os estudos com amostras tão amplas e acompanhamento por período tão prolongado.

Na Escócia, o esquema vacinal avaliado foi de três doses. Já no Brasil, desde 2024, o Ministério da Saúde adotou a recomendação de dose única da vacina quadrivalente contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com o objetivo de ampliar a cobertura vacinal. A médica pondera, no entanto, que ainda serão necessários estudos de longo prazo para avaliar o impacto dessa mudança na proteção futura contra lesões.

Os resultados também indicam que a idade da vacinação é determinante para a eficácia. Mulheres imunizadas mais jovens tiveram maior proteção, enquanto aquelas vacinadas após os 18 anos não apresentaram redução significativa das lesões no acompanhamento populacional. A explicação está na melhor resposta imunológica de crianças e adolescentes e no fato de que muitos ainda não tiveram contato com o vírus.

Em mulheres mais velhas ou que já tiveram infecção prévia, a vacina pode contribuir para reduzir o risco de recorrência após tratamento. Por isso, especialistas alertam que a ausência de benefício estatístico após os 18 anos não significa que a vacina deixe de funcionar nessa faixa etária, mas sim que sua eficácia é menor.

No Brasil, o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a vacinação para adolescentes de 15 a 19 anos por meio de campanhas de resgate, destinadas a quem não recebeu o imunizante na idade recomendada. A iniciativa foi prorrogada até a próxima Campanha de Vacinação nas Escolas, prevista para abril, com a meta de alcançar cerca de 7 milhões de jovens ainda desprotegidos.

Dados do painel de cobertura vacinal mostram que o país já alcançou 84,94% de cobertura entre meninas e 73,25% entre meninos de 9 a 14 anos. O desafio, segundo especialistas, é manter e ampliar esses índices para garantir o chamado efeito rebanho, reduzindo a circulação do vírus na população.

Apesar dos avanços, a vacinação não substitui os exames de rastreamento. Em agosto, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação do teste molecular de HPV ao Sistema Único de Saúde (SUS), que deve substituir gradualmente o papanicolau. A nova metodologia, já disponível em 12 estados, é mais sensível e permite intervalos maiores entre os exames quando o resultado é negativo, além de reduzir procedimentos invasivos desnecessários.

Especialistas destacam que a combinação entre vacinação em larga escala e rastreamento eficiente é fundamental para reduzir, de forma sustentável, a incidência do câncer do colo do útero nos próximos anos.

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