Propriedades continuam sem energia elétrica e concessionária não dá conta de atender os chamados
Por Edir Viégas
Produtores rurais de Ribas do Rio Pardo seguem contabilizando prejuízos em função da péssima qualidade dos serviços prestados pela Energisa no município. Com a intensificação das chuvas, a falta de manutenção na rede de distribuição colabora para que inúmeras propriedades rurais permaneçam durante dias no escuro.
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Entre a segunda-feira (2) e ontem, diversos chamados em função da queda no fornecimento de energia foram protocolados por meio do aplicativo para smartphones da concessionária.
Na Fazenda São José, a semana começou no escuro, situação em que também se encontravam ontem as fazendas Cachoeira Branca, Santo Antônio, Katira e algumas propriedades na região de Boa Aguada.
Poste incendiado
Na Fazenda Katira, um dos postes de madeira que sustentam as linhas de transmissão pegou fogo na segunda-feira (2), sem qualquer motivo aparente, aumentando o risco de novos apagões em função da instabilidade na rede.

Mais prejuízos
Nas propriedades da região de Boa Aguada, o fornecimento está suspenso há quatro dias, gerando inúmeros prejuízos por conta da perda de produtos alimentícios e de vacinas e medicamentos para o gado, que necessitam ser mantidos sob refrigeração.
Até a comunicação está prejudicada, pois os produtores e seus colaboradores simplesmente permanecem isolados pelo fato de não terem como recarregar a bateria dos aparelhos celulares.
Os que possuem gerador de energia sentem menos os reflexos da suspensão no fornecimento, mas mesmo assim têm que gastar com combustível para colocar o equipamento em funcionamento.
Uso do trator
Numa das propriedades, o dono da fazenda usou o trator para movimentar o gerador, já que ficou sem estoque de óleo diesel. Em outra, o produtor teve que alugar motor estacionário para bombear água para o gado.
Sem investimentos
O problema enfrentado pelo setor rural de Ribas decorre da falta de investimentos e de manutenção por parte da concessionária no sistema de distribuição.
Nem mesmo equipe de plantão sediado em Ribas do Rio Pardo a empresa mantém para atender com mais agilidade os chamados dos clientes da zona rural, denunciam os produtores.
O socorro, quando vem, parte de Campo Grande, o que significa que só no trajeto entre a Capital e Ribas lá se vão, no mínimo, 40 minutos ou até uma hora de deslocamento.
Além disso, o número de equipes de empresas terceirizadas que antes atendiam os chamados vem sendo reduzido ano a ano.
A manutenção sob a rede de distribuição, por meio da roçada do mato, raramente acontece. Na época da seca, são comuns incêndios na vegetação, provocando a queda de energia.
Ação Civil Pública
O advogado Guilherme Tabosa, presidente da Associação Empresarial do Vale da Celulose (AEVC), anunciou na semana passada que a entidade está preparando uma Ação Civil Pública (ACP) para obrigar a companhia a melhorar a qualidade dos serviços.
“As diversas e repetidas falhas no fornecimento de energia já são uma longa história de negligência da Concessionária e autoridades públicas”, disse Tabosa, ao explicar que os termos da ACP já estão sendo elaborados.
“O descaso não pode mais ser suportado, pois, além de ser um serviço público essencial para a dignidade humana da comunidade, há grave e recorrente notícia de prejuízos para a produção rural, empresarial e comercial”, argumentou.
Sindicatos e Famasul
Segundo o engenheiro florestal Moacir Reis, vice-presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore) e presidente do Sindicato das Indústrias e dos Produtores de Carvão Vegetal de Mato Grosso do Sul (Sindicarv), serão acionados também para buscar soluções junto à Energisa os sindicatos rurais da região e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).







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