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Brasil registra média de 66 desaparecimentos de crianças e adolescentes por dia em 2025

por | jan 28, 2026 | Últimas notícias

Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico

O Brasil contabilizou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes em 2025, segundo dados enviados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. O número representa uma média de 66 desaparecimentos por dia de pessoas com menos de 18 anos e indica um aumento de 8% em relação a 2024, quando a média diária foi de 60 registros.

De acordo com a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, instituída pela lei 13.812 de 2019, é considerada desaparecida toda pessoa cujo paradeiro é desconhecido, independentemente do motivo. Entre os casos registrados no ano passado, 61% das vítimas eram do sexo feminino, o equivalente a 14.658 meninas e adolescentes. Já 38%, ou 9.159 casos, envolviam pessoas do sexo masculino. Em 102 ocorrências, o sexo não foi informado.

O tema ganhou destaque nacional nos últimos dias com o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no povoado São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal, no Maranhão. As crianças sumiram no dia 4 de janeiro e, na segunda-feira, 26 de janeiro, as buscas entraram na quarta semana, mobilizando forças de segurança e moradores da região.

O caso conta com o apoio do protocolo Amber Alert, mecanismo acionado em situações de risco envolvendo crianças e adolescentes desaparecidos. Segundo a coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buono Sennes, o sistema foi implementado em 2023 pelo Ministério da Justiça em parceria com a Meta e tem sido fundamental para ampliar as chances de localização. O alerta utiliza plataformas como Facebook e Instagram para divulgar imagens e informações das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.

Os dados mostram diferenças significativas entre os estados. As maiores taxas de desaparecimento de crianças e adolescentes por 100 mil habitantes foram registradas em Roraima, com 40 casos, seguido por Rio Grande do Sul, com 28, e Amapá, com 24. Os números integram o painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, alimentado pelas secretarias estaduais de segurança pública.

Quando considerados os desaparecimentos em todas as faixas etárias, o cenário muda. Em 2025, mais de 84 mil pessoas desapareceram no país, o maior número desde o início da série histórica, em 2015, superando inclusive os índices anteriores à pandemia de Covid-19. A taxa nacional foi de 39 desaparecimentos a cada 100 mil habitantes, e, nesse recorte geral, 59% dos registros são de pessoas do sexo masculino.

Para a coordenadora Iara Sennes, a predominância de meninas e adolescentes entre os desaparecidos chama a atenção, mas ainda não permite conclusões sobre causas ou motivações. Segundo ela, a política pública voltada ao tema é recente e enfrenta dificuldades na apuração detalhada dos fatores que levam aos desaparecimentos, além da necessidade de maior integração com os estados para compreender diferenças regionais e de gênero.

O estado de São Paulo concentra o maior número absoluto de registros, com 20.546 desaparecimentos em 2025, o equivalente a cerca de um quarto do total nacional. Em termos proporcionais, porém, Roraima lidera, com aproximadamente 78 desaparecimentos por 100 mil habitantes. Mato Grosso do Sul aparece com o menor índice proporcional, registrando 378 casos no ano, o que representa uma taxa de 12,92 por 100 mil habitantes.

Os dados reforçam a dimensão do problema no país e evidenciam a necessidade de fortalecimento das políticas de prevenção, busca e apoio às famílias, diante de um cenário de crescimento contínuo dos registros de pessoas desaparecidas no Brasil.

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