A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o lecanemabe, novo medicamento indicado para tratar a doença de Alzheimer em fase inicial e casos de comprometimento cognitivo leve. Vendido com o nome Leqembi, o remédio foi desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai em parceria com a Biogen e já pode ser comercializado no Brasil.
O lecanemabe atua na redução das placas de beta-amiloide no cérebro, consideradas um dos principais fatores da doença, e pode retardar a progressão do declínio cognitivo. O medicamento não reverte sintomas como perda de memória, desorientação ou mudanças de comportamento, mas ajuda a desacelerar a evolução da enfermidade.
A aprovação se baseou nos resultados do estudo internacional de fase 3 Clarity AD, que acompanhou 1.795 pacientes com Alzheimer em estágio inicial. Após 18 meses, os participantes tratados com o medicamento apresentaram menor avanço da demência em comparação ao grupo que recebeu placebo.
Especialistas destacam que o principal benefício é o ganho de tempo com melhor qualidade de vida, sobretudo quando o tratamento é iniciado precocemente. O lecanemabe se diferencia de medicamentos mais antigos por oferecer efeitos mais duradouros, embora não represente uma cura.
Este é o segundo fármaco dessa classe aprovado no país. O primeiro foi o donanemabe, liberado em 2025. Apesar do avanço, o uso do lecanemabe exige cautela devido a possíveis efeitos colaterais, como sangramentos e inchaço no cérebro, além de dores de cabeça. O tratamento não é indicado para pacientes que usam anticoagulantes ou que já apresentem alterações cerebrais.
Outro entrave é o alto custo. O valor anual pode chegar a R$ 269 mil, o que dificulta a incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde. A expectativa é que o acesso fique restrito, principalmente, à rede privada.
Segundo a fabricante, o medicamento representa um avanço relevante diante do crescimento dos casos de demência no Brasil, onde quase dois milhões de pessoas convivem com a doença, sendo a maioria relacionada ao Alzheimer.






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