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Pedro Kemp fortalece mobilização contra hidrovia e leva debate ao governo federal após audiência pública em Corumbá

por | jun 5, 2026 | Últimas notícias | 0 Comentários

A audiência pública “Ferrovia Sim, Hidrovia Não”, aconteceu nesta tarde (5), no Centro de Convenções do Pantanal Miguel Gómez, em Corumbá.

A audiência pública “Ferrovia Sim, Hidrovia Não”, realizada nesta quinta-feira (5), em Corumbá, reuniu representantes da sociedade civil, trabalhadores, pesquisadores, ambientalistas e lideranças políticas para discutir os impactos do projeto de implantação da hidrovia no Rio Paraguai. Além de ampliar o debate público sobre o tema, o encontro resultou em importantes encaminhamentos.

Proponente da audiência, o deputado estadual Pedro Kemp assumiu o compromisso de levar a discussão ao governo federal e ao Partido dos Trabalhadores, fortalecendo a mobilização em defesa do Pantanal.

Segundo Luciana Leite, representante da Environmental Justice Foundation (EJF) no Brasil, a audiência cumpriu um papel fundamental ao garantir que a população fosse ouvida e tivesse acesso a informações sobre um projeto ainda pouco conhecido pela maioria dos moradores da região.

“Na verdade, foi muito importante. As pessoas estavam com esse anseio de serem ouvidas. Conseguimos criar um momento muito importante de diálogo”, afirmou.

Para a EJF, um dos principais resultados do encontro foi justamente abrir espaço para a escuta da população pantaneira e ampliar a participação social em uma discussão que poderá impactar diretamente a vida das comunidades locais. A entidade destacou que o debate permitiu reunir diferentes visões, esclarecer dúvidas e dar voz aos moradores, trabalhadores e lideranças da região.

Luciana também ressaltou os encaminhamentos anunciados por Pedro Kemp durante a audiência.

“O deputado assumiu o compromisso de levar essa discussão para a bancada federal do PT, para o governo federal e para espaços estratégicos de debate político. Muitas lideranças ainda não conhecem os detalhes do projeto e seus impactos. Por isso, esse trabalho de informação e articulação será essencial”, destacou.

Risco para empregos e para a economia regional

Durante a audiência, foram apresentados questionamentos sobre os impactos econômicos e sociais da hidrovia. De acordo com Luciana Leite, as balsas poderiam transportar até 20 mil toneladas de carga por viagem, o que pode afetar outros modais de transporte, especialmente o ferroviário e o rodoviário, gerando preocupação quanto à manutenção de empregos e ao desenvolvimento regional.

Outro encaminhamento importante foi a proposta de realização de uma pesquisa de opinião em Corumbá para medir o nível de conhecimento da população sobre a hidrovia. A iniciativa poderá fornecer dados concretos para qualificar o debate público e ampliar a conscientização da sociedade sobre o tema.

Também foi defendida a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Corumbá, envolvendo vereadores, lideranças comunitárias, trabalhadores, pesquisadores e representantes dos diversos setores econômicos do município.

Pantanal é patrimônio da humanidade

Durante sua fala, Pedro Kemp reafirmou sua posição contrária à implantação da hidrovia e anunciou que levará a discussão para as instâncias de formulação política do Partido dos Trabalhadores e para o governo federal.

“Vou levar essa discussão ao governo federal e ao Partido dos Trabalhadores para defender a não construção da hidrovia no Pantanal. Estamos falando de um patrimônio da humanidade, de um dos biomas mais ricos e importantes do planeta.

Precisamos garantir que qualquer projeto de desenvolvimento respeite a preservação ambiental, a vida das comunidades locais e os interesses da população sul-mato-grossense. O Pantanal não pode ser tratado apenas como uma rota de transporte de cargas. Ele é um patrimônio que precisa ser protegido para as atuais e futuras gerações”, afirmou o deputado.

Kemp também destacou que o debate está apenas começando e que será fundamental ampliar a participação popular nas próximas etapas da mobilização.

“Nosso compromisso é garantir transparência, informação e participação social. Muitas pessoas ainda não conhecem os detalhes desse projeto. Por isso, vamos ampliar esse diálogo com a sociedade, com as lideranças políticas e com o governo federal, para que qualquer decisão sobre o futuro do Pantanal seja tomada de forma democrática e responsável. A população precisa de emprego digno, desenvolvimento sustentável e segurança para viver, e não correr o risco de enfrentar consequências decorrentes de uma tragédia ambiental anunciada”, declarou.

A defesa do Pantanal também ganhou um forte componente simbólico com a participação de caciques e anciãos do povo Guató, que compartilharam relatos sobre a relação ancestral de sua comunidade com os rios da região. Conhecidos como o “povo das águas”, eles lembraram que sua sobrevivência física, cultural e espiritual está diretamente ligada à preservação dos rios pantaneiros.

Os depoimentos emocionaram os participantes e reforçaram a importância de incluir os povos originários no debate sobre o futuro do Pantanal. As lideranças indígenas destacaram que os Guató são os rios e dependem deles para viver, trabalhar, manter suas tradições e garantir a sobrevivência das futuras gerações.

A Environmental Justice Foundation (EJF) também destacou a expressiva participação de lideranças comunitárias, mulheres, jovens, trabalhadores, pesquisadores e representantes de diversos setores da sociedade de Corumbá, Ladário e de toda a região pantaneira. Para a entidade, a mobilização demonstrou a preocupação da população com os impactos do projeto e o compromisso coletivo com a preservação do Pantanal e com o futuro das próximas gerações.

Ampliação da mobilização

Ao final da audiência, ficou evidenciado o fortalecimento do movimento “Ferrovia Sim, Hidrovia Não”, que passa a contar com uma articulação política mais ampla para aprofundar o debate e defender alternativas de desenvolvimento que conciliem geração de emprego, preservação ambiental e participação popular.

Representantes do gabinete da senadora Soraya Thronicke e da deputada federal Camila Jara participaram do encontro e manifestaram apoio à continuidade das discussões. Entre os encaminhamentos está também a ampliação do diálogo com lideranças políticas e a realização de estudos e pesquisas para medir o conhecimento da população sobre os impactos da hidrovia.

Luciana Leite destacou ainda a importância da participação do vereador Chicão, que apresentou uma visão divergente durante a audiência. “Foi muito importante a fala do vereador Chicão, que trouxe uma posição diferente e contribuiu para que o debate acontecesse de forma respeitosa e democrática. Isso nos permite construir soluções conjuntas, ampliar o esclarecimento da população e aprofundar a discussão sobre os impactos da dragagem do Rio Paraguai dentro do Pantanal”, afirmou.

Fotos @GiovanniColetti

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