Uma força-tarefa formada pelo Ministério Público de São Paulo e Receita Federal apreendeu dinheiro em espécie, passaportes e moedas estrangeiras durante a Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e sonegação fiscal supostamente ligado ao PCC.
Entre os valores apreendidos estão cédulas em reais, dólares, euros e até rand sul-africano, moeda oficial da África do Sul. Até o momento, as autoridades ainda não divulgaram o montante total recolhido durante a operação.
A ação representa uma nova etapa da Operação Carbono Oculto, iniciada em agosto de 2025, e cumpre 60 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a organização criminosa continuou operando mesmo após operações anteriores, utilizando fintechs, empresas de fachada, postos de combustíveis e fundos de investimentos para ocultar recursos e movimentar grandes quantias de dinheiro.
As investigações apontam que empresários, operadores logísticos e laranjas concentravam movimentações financeiras em contas únicas para dificultar o rastreamento das autoridades. Em um dos casos investigados, operações de 56 postos de combustíveis eram realizadas por meio de uma única conta bancária.
O Ministério Público afirma que o esquema funcionava em três frentes principais: lavagem financeira por meio de fintechs, adulteração de combustíveis conhecida como “máfia do nafta” e ocultação patrimonial via fundos de investimentos.
Na frente financeira, relatórios de inteligência identificaram movimentações suspeitas próximas de R$ 4 bilhões. O grupo utilizava instituições de pagamento para movimentar recursos de dezenas de postos, criando camadas de ocultação que dificultavam o monitoramento pelos órgãos de controle.
Já na chamada “máfia do nafta”, solventes petroquímicos importados, com tributação inferior, eram desviados para produção irregular de combustível adulterado. As investigações apontam que mais de 135 milhões de litros de nafta foram desviados em pouco mais de dois anos, causando prejuízo tributário estimado em mais de R$ 200 milhões.
Os principais investigados continuam sendo os empresários conhecidos como “Primo” e “Beto Louco”, apontados como líderes do esquema. Ambos estão foragidos desde agosto do ano passado e, segundo o Ministério Público, tiveram uma proposta de delação premiada rejeitada após supostamente omitirem informações sobre lavagem de dinheiro, conexões com o PCC e possíveis casos de corrupção policial.
De acordo com o MP, o PCC aparece nas investigações como beneficiário indireto das movimentações financeiras, compartilhando estruturas utilizadas para ocultação de patrimônio e circulação de recursos ilícitos. As defesas de parte dos investigados afirmaram que ainda não tiveram acesso completo aos autos ou não foram localizadas.
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