A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou nesta terça-feira (2/12) fotos com aliados políticos ao lado de um boneco de papelão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após reunião do partido em Brasília. Na postagem, Michelle transmite uma mensagem de união e reconciliação “com oração, conversa sincera e união”, direcionada aos enteados Flávio e Carlos Bolsonaro, além do deputado federal André Fernandes (PL-CE), após atritos recentes no partido.
A crise interna começou quando Michelle criticou a aproximação do diretório do PL no Ceará com Ciro Gomes (PSDB), adversário histórico de Bolsonaro, durante um evento partidário em Fortaleza. A fala da ex-primeira-dama gerou repercussão e expôs um racha familiar: Flávio Bolsonaro chegou a chamar Michelle de “autoritária e constrangedora”, enquanto os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro se posicionaram contra a madrasta. Após os desentendimentos, Flávio afirmou ter pedido desculpas a Michelle, afirmando que conversaram de forma franca e resolveram o conflito.
O episódio reflete tensões mais amplas dentro do PL, que enfrenta disputas por influência e formação de palanques para 2026. Sem liderança coesa após a prisão do ex-presidente, o partido convive com divergências entre a família Bolsonaro e a ala do centrão. A cúpula do PL realizou reunião emergencial nesta terça-feira para aparar arestas, suspendendo o apoio a Ciro Gomes e mapeando eventuais acordos do ex-presidente em outros estados.
As disputas se estendem a diversas regiões. No Ceará, a eleição ao Senado envolve a candidata de Michelle, Priscila Costa, e Alcides Fernandes, apoiado pela cúpula local. Em Santa Catarina, a indicação de Carlos Bolsonaro ao Senado gerou atrito com a deputada Caroline de Toni, enquanto em Pernambuco, o ex-ministro Gilson Machado disputa espaço com Anderson Ferreira. No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro e o governador Cláudio Castro disputam palanque, com atenção também à segunda vaga que pode envolver Carlos Portinho. No Distrito Federal, a ala do PL deseja lançar Bia Kicis ao Senado junto a Michelle, isolando o governador Ibaneis Rocha (MDB).
Para analistas, como Adriano Oliveira, da UFPE, as divergências internas no bolsonarismo devem persistir enquanto Bolsonaro permanecer preso, criando um “vazio de poder” que favorece disputas pelo espólio eleitoral.
A postagem de Michelle, portanto, não apenas marca a reconciliação familiar, mas também sinaliza esforços para fortalecer a unidade do partido em um momento de tensão política e definição das candidaturas para as eleições de 2026.



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