O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (19) que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil representa um avanço, mas ainda considera a medida insuficiente para promover justiça tributária no país.
A declaração foi feita durante evento de inauguração de novas estruturas do acelerador de partículas Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas (SP).
Segundo Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, iniciou um processo de mudança no sistema tributário brasileiro, mas ainda há necessidade de maior tributação sobre os mais ricos.
“É bom, mas é pouco. Era importante que fosse mais, porque as pessoas mais ricas pagam menos imposto”, declarou o presidente.
Críticas às deduções no Imposto de Renda
Durante o discurso, Lula também criticou o atual modelo de deduções do Imposto de Renda relacionadas aos gastos com saúde.
“O pobre termina pagando o plano de saúde do rico. Como se conserta isso? Fazendo justiça tributária”, afirmou.
Investimentos no Sirius
O presidente participou da inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do Sirius, considerado a maior infraestrutura científica já construída no Brasil.
As novas estruturas devem ampliar pesquisas nas áreas de saúde, agricultura, energia, nanotecnologia, clima e novos materiais.
Três das linhas — Sapucaia, Quati e Sapê — receberam investimentos de R$ 200 milhões. Já a linha Tatu, primeira da segunda fase de expansão do projeto, contou com aporte de R$ 30 milhões.
Segundo o governo federal, a primeira etapa do Sirius já soma R$ 2,26 bilhões em investimentos, enquanto a segunda fase deve receber mais R$ 800 milhões.
Lula também defendeu mais investimentos em ciência e tecnologia no país.
“Temos que começar a nos perguntar quanto custa não investir”, declarou.
O Sirius integra o grupo restrito de equipamentos de luz síncrotron de quarta geração existentes no mundo e funciona como um “supermicroscópio”, capaz de analisar estruturas em escala atômica. De acordo com o governo, entre 85% e 90% dos componentes utilizados no projeto foram desenvolvidos no Brasil.
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