A advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, ré por injúria racial após um episódio ocorrido em um bar de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, afirmou estar sofrendo ameaças de morte e disse viver sob forte exposição desde a repercussão do caso. Nos últimos dias, ela reencontrou familiares que viajaram ao Brasil para acompanhá-la.
Em entrevista ao canal argentino Todo Noticias, no sábado (9), Agostina negou ter mentido sobre os fatos, mas declarou que não pode comentar detalhes do processo judicial. “Há muita crueldade. Eles querem me matar. Gostaria de contar tudo, mas não posso”, disse, sem citar nomes ou identificar quem seriam os autores das ameaças.
Segundo a advogada, a ampla divulgação de sua imagem nas redes sociais e na imprensa a colocou em situação de risco. “Não quero mais meu rosto em lugar nenhum, pelo menos aqui no Brasil. Existe uma campanha com minhas imagens. Estou em perigo e recebo ameaças o tempo todo. Não posso sair de lugar nenhum”, afirmou, conforme relato publicado pelo jornal Clarín.
Familiares da argentina, incluindo o pai, Mariano Páez, e a irmã de 16 anos, chegaram ao Rio de Janeiro para acompanhá-la nas próximas semanas. O pai declarou preocupação com a segurança da filha e disse se sentir mais tranquilo com a presença da família. “Agora me sinto calmo por ela estar acompanhada”, afirmou.
Agostina segue cumprindo medidas cautelares impostas pela Justiça brasileira, como o uso de tornozeleira eletrônica, a obrigação de permanecer no endereço informado e a proibição de deixar o país. Mariano Páez informou que a família pretende se reunir com advogados e, possivelmente, com o cônsul argentino no Rio. “Meu desejo é que ela possa voltar ao país. Foi um gesto inconsciente, ela está muito arrependida”, declarou.
A advogada também criticou o tratamento que recebeu após ter sido detida na última semana. Segundo ela, houve dificuldades ao longo do processo. “Me sinto muito desprotegida. Tem gente que me odeia”, disse. A prisão preventiva decretada pela Justiça foi revogada poucas horas após a detenção, na sexta-feira (6).
O caso ocorreu no dia 14 de janeiro, quando Agostina foi flagrada praticando ofensas racistas contra um funcionário de um bar, após uma discussão relacionada ao pagamento de uma conta. Imagens registradas mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal, além de utilizar a palavra “mono”, expressão em espanhol com conotação racista. O boletim de ocorrência foi registrado no mesmo dia, e o passaporte da turista foi apreendido três dias depois para impedir que deixasse o Brasil.
Em depoimento, Agostina negou que os gestos tivessem intenção discriminatória e alegou que a atitude teria sido direcionada às amigas, em tom de brincadeira. Ela também afirmou não saber que esse tipo de comportamento configura crime no Brasil e disse ter sido provocada por funcionários do bar. A versão, no entanto, é contestada pela polícia e pelo Ministério Público.
O MP denunciou a advogada por injúria racial, destacando que os relatos das vítimas foram confirmados por testemunhas e por imagens do circuito interno do estabelecimento. A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia e a tornou ré, embora tenha revogado a prisão preventiva.
A injúria racial ocorre quando elementos relacionados à raça, cor, etnia, religião ou origem são utilizados para ofender a dignidade de uma pessoa de forma individual. O crime prevê pena de 1 a 5 anos de prisão e, assim como o racismo, é considerado imprescritível e inafiançável no Brasil.









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