O deputado estadual Pedro Kemp (PT) foi à tribuna nesta segunda-feira (16) para repudiar o que classificou como uma afronta aos trabalhadores brasileiros. Segundo ele, enquanto o país debate a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, especialmente em benefício das mulheres e da qualidade de vida da população, senadores bolsonaristas colocam em pauta uma proposta que, na prática, institui uma jornada de trabalho 7×0 e ameaça direitos históricos garantidos pela CLT.
“Vejam a cara de pau desses senadores. O autor desse absurdo, Rogério Marinho, e outros senadores bolsonaristas, como Flávio Bolsonaro, são contra o fim da escala 6×1 e querem implantar essa escala 7×0, que acaba com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e com os direitos trabalhistas. É a volta da escravidão!”, disparou Kemp.
“Enquanto milhões de trabalhadores lutam por mais tempo para viver, descansar e conviver com suas famílias, setores conservadores querem impor uma lógica de trabalho permanente, uma escala 7×0 que significa a retirada de direitos históricos”, acrescentou.
Segundo o parlamentar, a medida representa um grave retrocesso justamente no momento em que o Brasil debate a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Kemp criticou a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acusado de ter recebido US$ 30 milhões no escândalo do Banco Master e que, diante da reivindicação da população brasileira por melhores condições de trabalho e mais tempo para o descanso, pegou o projeto do fim da escala 6×1 e “sentou em cima”.
Kemp afirmou que a “PEC da Escravidão” poria fim ao décimo terceiro salário, às férias e a todos os direitos conquistados pelo povo brasileiro. O deputado salientou que a PEC da deputada federal Erika Hilton pelo fim da escala 6×1 está de acordo com o momento vivido em vários países do mundo. A tecnologia tem proporcionado às empresas e aos trabalhadores mais tempo para o lazer e, com isso, há a constatação de um rendimento muito melhor no trabalho. Kemp citou exemplos de países onde trabalhadoras e trabalhadores já atuam em jornadas reduzidas, como a escala 4×3.
Segundo Kemp, há forte pressão de setores empresariais contrários à mudança. O parlamentar citou o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e afirmou que interesses econômicos estariam atuando para impedir o avanço da proposta no Congresso Nacional.
Ao encerrar sua fala, Pedro Kemp reafirmou apoio ao fim da escala 6×1 e à proposta apresentada por Erika Hilton. O deputado defendeu que o Congresso Nacional avance em medidas que ampliem direitos e garantam mais dignidade à classe trabalhadora, rejeitando propostas que, segundo ele, representam um retorno a condições de trabalho incompatíveis com os avanços sociais conquistados pelo país.
Foto: Luciana Nassar
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